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mesas

Apresentação

Por Irma Viana (antropóloga, mestre em Letras)
Coordenadora das Mesas do Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual

O IV Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual trará a Salvador, ao palco principal do Teatro Castro Alves, de 21 a 23 de Julho de 2008, filósofos, teóricos e profissionais do filme de diversas nacionalidades, para discutir, em seis mesas redondas, temas relacionados à Representação e Realidade no Cinema. De modo que o foco dos debates, este ano, recairá sobre modos de representação – trilhas (mesa II), fotografia (mesa III) – e história – documentário (mesa I), cinema e história (mesa V) e realidades sociais e políticas no cinema (mesa VI).

Como lembra Gianni Vattimo, um dos palestrantes convidados, em seu livro A Sociedade Transparente (Lisboa: Relógio d'Água, 1992), a Filosofia a as Ciências Humanas, entre os Séc. XIX e XX criticaram radicalmente a idéia de história como curso unitário, revelando o caráter ideológico da representação histórica (imposta pela expansão do pensamento europeu, através do imperialismo e da colonização), o que marcou o fim da modernidade.

A crise da História (unitária) e a conseqüente crise da noção de progresso coincidem com o nascimento dos meios de comunicação de massa (os mass media), que, ainda segundo Vattimo, exerceram papel fundamental no surgimento da sociedade pós-moderna. Pois, apesar dos esforços dos grandes monopólios capitalistas, a rádio, a tv, o cinema tornaram-se veículos de uma grande explosão de “visões de mundo”. O ideal europeu de humanidade tornou-se, assim, um ideal entre outros e que só pode se fazer valer como essência do homem por meio da violência.

Com a intensificação das possibilidades de informação sobre a realidade e a história, nos seus mais variados aspecto, torna-se cada vez menos concebível a própria idéia de “realidade”. De fato, com o advento dos meios de comunicação de massa, a “realidade” não pode mais ser entendida como o dado objetivo que está sob e para além das imagens que nos são oferecidas. Se, com a multiplicação das imagens do mundo, perdemos o “sentido da realidade”, como se diz, é porque a realidade para nós resulta do cruzamento das múltiplas imagens, inter-relações, reconstruções, que as mídias distribuem.

Com isso, será que, como diz Debord (“A Sociedade do Espetáculo”), nosso tempo prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser? A representação sempre fez parte das nossas construções e re-construções da realidade, no entanto, a profusão das imagens, “produziu, na nossa reflexão, novas formas de diegese”, como disse Ordep Serra (antropólogo, professor e pró-reitor de extensão da UFBA, parceira do Seminário), ao mediar a mesa sobre “Narrativa” no III Seminário, acrescentando: “É preciso pensar que nós todos somos para nós mesmos e para os outros, de certo modo, narrativos e a maneira como nós narramos hoje, no mundo contemporâneo, tem muito a ver com essa poderosa construção da linguagem cinematográfica.”

A reflexão crítica sobre a pratica e a produção audiovisual e sua articulação histórico-política constituem o eixo das discussões propostas pelas sucessivas edições do Seminário, espaço único e democrático de reflexão e encontros, onde foram discutidos temas como globalização e linguagem; seguido de neo-realismo e nouvelle vague, além de identidade latino-americana e multiculturalismos; continuando, no ano passado, com o desenvolvimento da linguagem, focando na narrativa, nas poéticas e políticas do cinema contemporâneo. O cinema político sempre esteve presente, partindo da década de 60, tema de abertura do I Seminário, chegando ao cinema político contemporâneo e, este ano, colocando em debate o papel da história e os modos de fazer da pratica (política) cinematográfica e audiovisual.

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Confira os perfis dos palestrantes aqui

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IV Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual
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